domingo, 21 de setembro de 2008

Sabiá III



Essas árvores que vejo da janela de meu quarto estão em um grande terreno, entre as ruas Augusta, Marquês de Paranaguá e Caio Prado.
Trata-se de uma área de vegetação densa e com árvores bem altas. Dizem que é última área de Mata Atlântica no centro de São Paulo e ninguém duvida disso...
Além das belas árvores, há a antiga entrada e o muro do extinto colégio francês Des Oiseaux, demolido na década de 70.
No Des Oiseaux (Os pássaros, em português) estudou minha querida avó Sylvia que me ensinou a tricotar, a apreciar a língua francesa, as fotografias de família e os móveis antigos. Acho que com ela descobri o que é a nostalgia... E por ela, nutro uma enorme saudade...
Com os restos do Des Oiseaux e com o passado da minha avó, hoje estão os sabiás-gongá, mes oiseaux. Diariamente, às vezes cedo demais, cantam forte do beiral do telhado e me chamam para o privilégio de poder olhar para a mata, para os outros pássaros, para "Os Pássaros" e para as memórias infiltradas nesse ponto da cidade, que de certa forma também são minhas.

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